Procura-se uma nova língua mãe
Maldito seja o português que inventou a palavra saudade. Ela não precisava existir, trazendo com ela todo esse sentimento pesado, que deixa a gente pensativo, triste, vivendo coisas que já se passaram… Há anos, quando o Orkut era moda e só pessoas que eram convidadas participavam da rede, um ser criou uma comunidade “Quem eu amo mora longe”. Naquele longínquo tempo, lembro de pensar que aquela comunidade não se encaixava na minha vida. E não lembro nem de considerar que algum dia ela caberia.
Quando a minha melhor amiga viajou pela primeira vez para ficar fora um ano, foi a primeira vez que eu senti mesmo a falta de alguém. Nos falávamos todo santo dia há anos, acho que não tinha nada na minha vida que ela não sabia. Quando ela partiu, comecei a me acostumar a ver pessoas se afastarem e seguindo a sua vida. Até aí, tudo ótimo. O problema é que isso nem sempre acontecia comigo por perto, para ver o sucesso e cumprimentar a pessoa com um abraço forte e um tapinha na cabeça.
Desde lá a palavra saudade tem outro peso para mim. Não é mais uma palavra no dicionário, é um sentimento forte e intenso. Uma palavra que antes era bonita e hoje é feia. Mais feia do que a Suzana Vieira pagando peitinho no Faustão.
Às vezes a sensação é que as coisas que acontecem com as pessoas amadas sempre acontecem longe de nós, seres saudosos. Parace que cria-se um muro e com o passar dos dias viramos apenas um voyeur mantido a distância. Por mais que o elo seja enorme, a saudade da presença consegue ser bem maior.
Se alguém souber de uma língua onde a palavra saudade ou solidão não existe, por favor me avise. Me mudo para lá amanhã mesmo.
E a dica de hoje é:
